Por Margarida Godinho, Enfermeira na Lxiscare.

 

A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente a memória, o pensamento e o comportamento. É a forma mais comum de demência, responsável por grande parte dos casos em idosos, e tende a piorar com o tempo, comprometendo a capacidade de realizar tarefas diárias.

Os sintomas iniciais podem incluir esquecimento de eventos recentes, dificuldades de raciocínio, confusão, alterações de humor e problemas de linguagem. Com o avanço da doença, estes sintomas tornam-se mais intensos, levando a dificuldades de comunicação, desorientação espacial, perda de autonomia e, eventualmente, à necessidade de cuidados permanentes.

Ainda não há cura definitiva para o Alzheimer, mas diversos tratamentos e estratégias podem ajudar a aliviar os sintomas, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida da pessoa doente. Além dos medicamentos que atuam na redução de proteínas tóxicas no cérebro, intervenções não farmacológicas — como estimulação cognitiva, exercício físico, alimentação equilibrada, apoio psicológico e ambientes seguros — são essenciais para promover bem-estar, independência e qualidade de vida.

O avanço na compreensão da doença também reforça a importância do diagnóstico precoce, que permite iniciar tratamentos mais cedo, gerir melhor os sintomas e planear o cuidado adequado, apoiando tanto a pessoa doente como a sua família neste percurso.

A seguir, respondemos a perguntas frequentes sobre as últimas novidades na investigação, no diagnóstico e no cuidado a quem vive com esta doença, e sobre como melhorar a qualidade de vida.

Perguntas e Respostas sobre a Doença de Alzheimer

Quais são as novidades mais recentes no diagnóstico precoce da doença de Alzheimer?
Tecnologias avançadas de imagiologia cerebral, como PET scans que detetam depósitos de amiloide e tau, estão a ser utilizadas mesmo antes do aparecimento de sintomas. Além disso, biomarcadores no sangue — como a presença de determinadas proteínas associadas ao Alzheimer — têm mostrado potencial para um diagnóstico mais precoce e preciso.


Houve recentemente novidades no tratamento farmacológico do Alzheimer?
Sim. Em 2025, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou o lecanemab para o tratamento de fases iniciais da doença – défice cognitivo leve ou demência leve – em pessoas sem duas cópias do gene ApoE ε4. Em julho de 2025, a EMA recomendou também a aprovação condicional do donanemab para o mesmo grupo de doentes. São os primeiros tratamentos aprovados na Europa que atuam diretamente sobre as placas amiloides associadas à doença, e não apenas sobre os sintomas. A aprovação europeia não significa acesso imediato em Portugal: a comparticipação e a disponibilidade no SNS dependem de avaliação própria do INFARMED, pelo que a indicação destes tratamentos deve ser sempre confirmada com o neurologista responsável. (O aducanumabe, por vezes referido nesta área, nunca foi aprovado na Europa e foi retirado do mercado pelo próprio fabricante em 2024.)


Quais são as novidades em tratamentos não farmacológicos?
A investigação continua a reforçar a importância das intervenções não medicamentosas. Programas de estimulação cognitiva, atividade física regular, terapia ocupacional e controlo dos fatores de risco cardiovascular têm mostrado resultados promissores no abrandamento da progressão da doença. Tecnologias de realidade virtual e aplicações digitais estão também a ser exploradas para estimular as funções cognitivas de forma inovadora.


Como tem contribuído a genética para os avanços na compreensão do Alzheimer?
Estudos genéticos identificaram fatores de risco hereditários, como o gene APOE4, além de outros genes associados ao risco de desenvolver Alzheimer. Estas descobertas ajudam a compreender os mecanismos biológicos da doença e também a identificar pessoas com maior predisposição, possibilitando intervenções preventivas mais eficazes.


Quais são as perspetivas futuras na investigação do Alzheimer?
O futuro é promissor: inclui terapias de imunoterapia, que visam ajudar o sistema imunitário a remover proteínas tóxicas, e estratégias de terapia génica para corrigir ou modificar os processos genéticos relacionados com a doença. Estuda-se também o impacto de fatores ambientais e de estilo de vida, bem como a possibilidade de prevenir o Alzheimer através da combinação de várias ações preventivas, como a dieta, a atividade física, o controlo do sono e a gestão do stress.


Quais são os desafios atuais na luta contra o Alzheimer?
Apesar dos avanços, o diagnóstico precoce ainda enfrenta limitações de acessibilidade e precisão. Os tratamentos atuais não curam a doença — apenas retardam a sua progressão em alguns casos —, o que reforça a necessidade de mais investigação para encontrar uma cura definitiva. Além disso, o elevado custo das novas terapias e o envelhecimento da população aumentam a urgência de soluções eficazes e acessíveis.

Perguntas frequentes

A doença de Alzheimer tem cura?
Não. Os tratamentos atualmente aprovados – incluindo os mais recentes, lecanemab e donanemab – atrasam a progressão em fases iniciais da doença; não a revertem.

O apoio domiciliário ajuda no acompanhamento da doença de Alzheimer?

Sim. Rotinas estáveis, supervisão e companhia qualificada em casa são reconhecidas como parte importante do acompanhamento, a par do tratamento médico.

Se sente que a rotina em casa se tornou difícil de gerir, ou procura apoio para um familiar com Alzheimer, a Lxiscare pode ajudar. Realizamos avaliações sem compromisso e ajudamos as famílias a encontrar a solução de cuidados mais adequada para cada situação. Contacte-nos para agendar a sua.