Por Joana Morgado, Nutricionista na Lxiscare.
O jejum intermitente tornou-se popular nos últimos anos, mas não é uma recomendação adequada para pessoas idosas. Com a idade, as necessidades nutricionais alteram-se, o risco de desnutrição aumenta e a restrição alimentar prolongada pode agravar a perda de massa muscular (sarcopenia) e a fragilidade. Qualquer alteração relevante na alimentação de uma pessoa idosa deve ser sempre validada por um médico ou nutricionista.
Porque é que o jejum intermitente não é indicado para idosos
O metabolismo e a composição corporal mudam com a idade: a massa muscular tende a diminuir naturalmente, e longos períodos sem comer agravam essa perda em vez de a prevenir. As pessoas idosas têm também menor reserva fisiológica para lidar com quedas de glicemia, maior risco de desidratação e, com frequência, défices nutricionais já instalados — sobretudo em proteína, vitamina D e cálcio. Restringir ainda mais a ingestão alimentar, sem acompanhamento médico, tende a agravar estes riscos em vez de trazer benefícios.
O que muda nas necessidades nutricionais com a idade
Ao contrário do que seria de esperar, as necessidades de proteína não diminuem com a idade — pelo contrário, aumentam, precisamente para contrariar a perda de massa muscular. Já as necessidades calóricas tendem a baixar, porque a atividade física e o metabolismo basal diminuem. Na prática, a qualidade nutricional de cada refeição passa a ser mais importante do que a quantidade. A hidratação, a vitamina D, o cálcio e a fibra merecem atenção redobrada — as orientações da Direção-Geral da Saúde sobre alimentação saudável dedicam atenção específica aos riscos nutricionais da terceira idade.
Prioridades da alimentação no apoio domiciliário da Lxiscare
Na Lxiscare, a alimentação dos utentes que acompanhamos segue estas prioridades:
- Garantir hidratação adequada — as pessoas idosas têm menor sensação de sede e maior risco de desidratação;
- Assegurar ingestão suficiente de proteína, para prevenir a perda de massa muscular;
- Adaptar a textura dos alimentos quando há dificuldade em engolir (disfagia);
- Supervisionar as refeições, sobretudo em casos de demência, em que o esquecimento ou a desorientação podem levar a comer pouco ou em excesso;
- Coordenar com a família e com o nutricionista ou médico responsável sempre que é preciso ajustar a dieta.
Estas tarefas fazem parte do trabalho diário dos nossos cuidadores de idosos ao domicílio, a par dos cuidados de higiene, mobilização e gestão de medicação. Em utentes com doença de Alzheimer ou outras demências, a supervisão das refeições merece atenção redobrada.
Sinais de alerta a vigiar
Alguns sinais merecem atenção e, se persistirem, devem ser comunicados ao médico de família: perda de peso não intencional, falta de apetite persistente, dificuldade a engolir ou engasgamento frequente, boca seca, urina escura ou confusão (possíveis sinais de desidratação). Mais orientações gerais sobre alimentação saudável estão disponíveis no guia do SNS24.
Para mais informação sobre os cuidados de saúde que prestamos ao domicílio, consulte a página Saúde ao domicílio. Tem um familiar idoso e precisa de apoio na gestão da alimentação do dia a dia? Contacte a Lxiscare e peça uma avaliação gratuita.